A História do Maine (1898)

Na noite de 15 de fevereiro de 1898, uma forte explosão faz afundar o navio de guerra americano “Maine”. O incidente conduziu os Estados Unidos da América para a guerra.

Deflagrava a guerra pela independência, contra o domínio colonial espanhol, e os jornais norte-americanos noticiavam os maus tratos que as autoridades espanholas infligiam sobre a população cubana e sobre cidadãos americanos que residiam na ilha. O governo dos Estados Unidos responde à pressão da imprensa: a 25 de janeiro, o navio de guerra norte-americano entra no porto de Havana.

O Maine era um dos mais modernos navios da frota americana e a sua chegada a Cuba foi vista como uma forma de pressão sobre os espanhóis. Três semanas após a sua chegada, o navio explode e morrem mais de 250 marinheiros.

maine-2.jpg

The San Francisco Call and Post San Francisco, California •  Wed, 16 Feb 1898

The San Francisco Call and Post

San Francisco, California • Wed, 16 Feb 1898

O caso é explorado e manipulado pela imprensa americana, sobretudo pelo New York Journal e pelo New York World. Os jornais são impiedosos e acusam os espanhóis de sabotagem. A opinião pública exige que sejam vingados os mortos com o ‘grito’ criado pelos jornais: “Remember the Maine”. Dois meses depois, é declarada a guerra.

A Guerra Hispano-Americana durou menos de 4 meses. Em pouco tempo, as tropas americanas invadem Cuba e a guerra expande-se para o Pacífico. Os EUA vencem e é assinado o armistício. Através do Tratado de Paris, assinado em dezembro desse mesmo ano, a Espanha cede aos americanos o que restava do seu império colonial: Porto Rico, Cuba, Guam e a soberania das Filipinas. A Espanha acaba por vender as restantes possessões no Pacífico aos Alemães. Foi o fim do império colonial espanhol na América e na Ásia. Foi o princípio da presença global dos Estados Unidos da América.

Em 1976, os restos do Maine são trazidos de Havana para os Estados Unidos. O motivo da explosão nunca foi esclarecido, mas os exames mais recentes apontam para um acidente, provocado por um incêndio nos depósitos de carvão ou de munições. Os espanhóis não tinham sabotado o navio. Fake news.

O fenómeno da pressão mediática exercida sobre as autoridades americanas foi amplamente estudado a posteriori. Ao tipo de jornalismo criado pelas manchetes bombásticas e textos inflamados dessa altura deu-se o nome de yellow journalism (jornalismo tabloide). Pulitzer e Hearst são duas das figuras dos Média associadas ao aparecimento deste modelo jornalístico.

maine-3.jpg

“A grande guerra tipográfica dos meninos amarelos”, Vim, v. 1, n.º 2 (29 de junho de 1898). Divisão de Impressões e Fotografias.

“A grande guerra tipográfica dos meninos amarelos”, Vim, v. 1, n.º 2 (29 de junho de 1898). Divisão de Impressões e Fotografias.

Em 1883, Pulitzer aplica uma série de novas técnicas com o objetivo de salvar o jornal The World. Desde 1917, Pulitzer é o nome do prémio que reconhece o jornalismo e a escrita de qualidade. Hearst segue os passos de Pulitzer e convida jornalistas do The World para trabalharem no seu jornal The New York Journal, inclusive Outcault, o autor da emblemática figura de banda desenhada da yellow press: o Yellow Kid. Hearst foi a inspiração para um dos mais famosos personagens de cinema: Citizen Kane é William Randolph Hearst.