2000

04/27/2000

INCULTURA E UMA UNIVERSIDADE MODERNA

No último ano do segundo milénio, o Papa João Paulo II veio a Portugal beatificar os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto e revelar a terceira parte do segredo de Fátima.

A febre patriótica andou tão elevada que o Presidente da República (o socialista Jorge Sampaio), o primeiro-ministro (o socialista António Guterres) e políticos de vários partidos distribuíram “a alunos do 1° ciclo kits contendo a bandeira, um mapa de Portugal e uma cassete com o hino”.

No desporto, a seleção foi ao Euro 2000, mas acabou eliminada pela França nas meias-finais. Humberto Coelho deu o lugar a António Oliveira como selecionador. Vale e Azevedo saiu da presidência do Benfica, e a nova direção foi confrontada com “situações gravíssimas, que ninguém imaginava”. O seu sucessor, Manuel Vilarinho, desabafou ao Expresso: “Agora vou ter de me aguentar.” Ali perto, José Roquette revelou que, segundo uma sondagem encomendada pelo clube de Alvalade, “os proprietários de 42% do parque automóvel nacional são adeptos ou simpatizantes do Sporting, assim como mais de metade dos portugueses com rendimentos acima de 3 mil contos anuais [15 mil euros]”.

Luís Figo transferiu-se do Barcelona para o Real Madrid por 12 milhões de contos [60 milhões de euros]. Quando o calendário de jogos ditou o seu regresso a Camp Nou, precisou de proteção policial e foi atacado por uma chuva de moedas de cinco pesetas acompanhada por gritos de “pesetero”.

Faleceram Matateu, Edgar Cardoso, José Águas…

Internacionalmente, Portugal e Angola ficaram de relações tensas quando um ministro angolano acusou Mário Soares e o filho de beneficiarem do tráfico de diamantes e de marfim de Jonas Savimbi; a União Europeia cerrou fileiras contra a ascensão do político de extrema-direita Jörg Haider ao Governo da Áustria; um acidente com um avião Concorde em Paris matou 113 pessoas; e um acidente com o submarino nuclear russo “Kursk”, no Mar de Barents, levou à morte dos 118 tripulantes.

Foi também em 2000 que uma alteração ao Imposto Automóvel no Orçamento para o ano seguinte levou a uma corrida aos stands e fez com que os jipes esgotassem em todo o país. Os touros de morte em Barrancos tiveram a permissão do ministro da Administração Interna, Fernando Gomes. Manuel Maria Carrilho demitiu-se de ministro da Cultura alegando que o seu trabalho “está concluído”. O “Big Brother” estreou-se na TVI, polarizando as opiniões. O ministro da Educação, Augusto Santos Silva, disse que uma vaga de “incultura, incivilidade e indignidade” assola o horário nobre das televisões.

Houve muitos escândalos políticos, principalmente o caso Moderna, relacionado com o financiamento feito pela universidade a partidos, com particular envolvimento de Paulo Portas; e o da Fundação para a Prevenção e Segurança, criada no âmbito da Administração Interna, que levou à demissão de Armando Vara e de Luís Patrão.

O presidente da Sonae.com, Paulo Azevedo, prometia mudar de país se a Optimus não ficasse com uma das quatro licenças dos telemóveis de terceira geração; e “o gigantesco crescimento da Portugal Telecom” foi considerado pelo Expresso um dos factos mais marcantes do ano. Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social, revelava que, “depois de encerrar ao tráfego aéreo em 2009, a aerogare da Portela será transformada em estação para os comboios de alta velocidade [TGV], que deverão ligar Lisboa e Porto a Madrid”.
 

 

Expresso 2000