1987

Tal como em edições anteriores, a próxima cimeira europeia, de Bruxelas, vai ter o ambiente esmagado pelo peso de montanhas de manteiga e cereais e inundado por lagos de vinho e leite.

Os ministros europeus ligados ao sector do orçamento vão realizar, amanhã, no Luxemburgo, mais um esforço para ultrapassar as dificuldades financeiras imediatasa que se apresentam à Comunidade Europeia.

A noruega deu, na passada sexta-feira, o que foi considerado como um primeiro grande passo para uma futura integração na Comunidade Europeia.

Amanhã, a CEE comemora o Dia da Europa. Será um momento para galvanizar sentimentos idealistas, mas também vai ser a oportunidade para pensar o futuro com algumas nuvens no horizonte.

Apesar dos múltiplos conselhos para que não o fizesse nesta altura, a Turquia apresentou ontem, em Bruxelas, a sua candidatura formal à Comunidade Europeia.

A Comunidade Europeia manifestou-se a favor de uma Conferência Internacional de Paz para o Médio Oriente, sob os auspícios das Nações Unidas, com a participação das partes envolvidas ou que tenham a possibilidade de trazer uma contribuição positiva.

Portugal viu ontem desbloqueadas algumas verbas comunitárias destinadas a vários sectores económicos, após a aprovação, em terceira leitura, pelo Parlamento Europeu, em Estrasburgo, do Orçamento da CEE para o ano em curso.

A primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, reafirmou ontem ao presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, a necessidade de controlar o orçamento da CEE, conter o aumento de excedentes alimentares e disciplinar a política agrícola comum.

O primeiro-ministro belga, Wilfried Martens, garantiu ontem à noite em Bruxelas que a Bélgica tudo fará durante o seu período de presidência da CEE para encontrar, em conjunto com a Comissão Europeia, “soluções equilibradas para ultrapassar a actual crise financeira comunitária sem aumentar as disparidades entre os Estados-membros e tendo em conta as especificidades de cada um”.

Nem Washington nem Bruxelas – e, por extensão, os países membros da CEE – querem uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a Comunidade Europeia. Todavia, o conflito, de consequências imprevisíveis, poderá rebentar no final deste mês, se entretanto as duas partes não alcançarem um acordo em torno das profundas divergências que se registam.

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