1988

A primeira indicação que transparece dos projectos da Espanha para a próxima presidência da Comunidade Europeia, durante os primeiros seis meses de 1989, é a de que as autoridades de Madrid estão empenhadas em deixar uma marca profunda nesta primeira vez que em assumem uma tal posição desde a data de adesão.

O primeiro-ministro cavaco Silva defendeu, ontem, perante os restantes dirigentes dos Estados da CEE, a necessidade de promover o conceito de mercado interno segundo uma lógica comum que encoraje a coesão e a solidariedade de desenvolvimento dos Doze.

No fim-de-semana, os agentes dos doze estados membros da CEE vão reunir-se em Rodes para fazer o ponto de situação na realização do mercado interno europeu e na política externa comunitária. Admite-se que alguns dos presentes venham a afirmar-se mais europeus do que outros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro, assinou, ontem, em Londres, o protocolo de adesão de Portugal à União Europeia Ocidental (UEO), numa cerimónia que também contou com a presença do encarregado da pasta da Defesa , Eurico de Melo.

Portugal deverá aderir à União Europeia Ocidental (UEO) já no mês que vem, e forem resolvidos a tempo alguns pormenores de ordem formal ainda pendentes. A assinatura do protocolo de adesão ocorreria, então durante a reunião ministerial daquela organização, marcada para Londres a 14 e 15 de Novembro.

O presidente da Comissão Europeia inicia hoje uma visita de dois dias a Portugal para falar do mercado único de 1992. O seu encontro com Cavaco Silva será um “tónico” para próximas visitas a capitais europeias onde ao seu projecto de integração se depara alguma resistência.

Tem-se dito que a próxima cimeira europeia de Rodes, marcada para o príncipio de Dezembro, pouco mais será do que uma oportunidade para passar em revista o que se tiver avançado em direcção ao mercado interno de 1992, e aproveitar o clima ameno do Mediterrâneo, talvez com algum sol de Inverno. As perspectivas começam a alterar-se substancialmente.  

Os portugueses foram ontem apelidados de “mafia” por parte do deputado conservador britânico, Bryan Cassidy, durante um debate sobre Timor-Leste, no Parlamento Europeu, que começou de forma tumultuosa.

Dentro de dias, a Comunidade Europeia vai regressar de férias para o início de mais um ano que promete ser de grande actividade. Como pano de fundo para o fervilhar de Berlaymont, o edifício de Bruxelas, onde funciona a Comissão, continua a construção do mercado interno até 1992.

O processo de modernização de Portugal, no meios de um ambiente económico em rápida evolução, mostra-se uma autêntica odisseia, num combate intenso apoiado por vastas somas da CEE. Esta imagem sobre a situação portuguesa transparece de um artigo publicado ontem no jornal internacional Herald Tribune.

Durante os cinco anos que decorrerão até a criação do mercado único da CEE, em 1992, a Espanha vai ser o país europeu com maior expansão na sua economia, nos sectores da produção, investimento e importações.

Rodeada de um ambiente de confidencialidade, que já se tornou habitual, realizou-se na terça-feira, em Londres mais uma série de conversações preparatórias da integração de Portugal na União Europeia Ocidental. Pela parte portuguesa os trabalhos têm sido orientados pelo embaixador José Cutileiro.