2007

27/04/2007

UM GRANDE CALDINHO

O ano começou com um grande embaraço de Cavaco Silva (por proposta do ministro da Justiça, Alberto Costa), que indultou um condenado que andava a monte e tinha mandados de captura nacionais e internacionais.

“Conforme faço uma escriturazinha, rapo dois mil aqui, dez mil acolá.” O Expresso revela as escutas telefónicas a Domingos Névoa, dono da Bragaparques, que tentou ‘comprar’ o vereador do Bloco de Esquerda em Lisboa, José Sá Fernandes, para que este desistisse de uma ação contra a permuta de terrenos entre a Feira Popular e o Parque Mayer. O escândalo levaria à queda do presidente da autarquia, Carmona Rodrigues, e à convocação de eleições intercalares, que seriam vencidas por António Costa.

No campo eleitoral, em 2007 também tivemos o segundo referendo à despenalização do aborto, tendo o Sim vencido por 59,25%. Luís Filipe Menezes tornou-se líder do PSD; Paulo Portas regressou à liderança do CDS-PP.

Falando em Paulo Portas, escrevemos que em 2005, antes de sair do Governo, ele mandou copiar 61.893 páginas de documentos do Ministério da Defesa. Empresa de digitalização diz que alguns deles tinham escrito “confidencial”.

Portugal voltou a ter a Presidência do Conselho da União Europeia e conseguiu que os Estados-membros assinassem o chamado Tratado de Lisboa, que reformou o funcionamento da UE. “Porreiro, pá”, disse Sócrates a Durão na assinatura, que foi feita no Mosteiro dos Jerónimos, mesmo ao lado do Centro Cultural de Belém, onde nesse ano foi inaugurado o Museu Coleção Berardo.

Polémica quente envolveu a Universidade Independente e o modo como o primeiro-ministro terminou, naquela escola, em 1996, o curso de Engenharia Civil. Título do Expresso: “UnI emitiu diploma de Sócrates num domingo.” Outra notícia de primeira página do Expresso: “Portugal é o país da Europa onde mais se rouba em hipermercados. Os caldos Knorr estão no top dos furtos.”

Faleceram Fiama Hasse Pais Brandão, Ryszard Kapuscinski, A. H. de Oliveira Marques, Jean Baudrillard, Kurt Vonnegut, Boris Iéltsin, Mstislav Rostropovich, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, Eduardo Prado Coelho, Luciano Pavarotti, Marcel Marceau, Norman Mailer, Maurice Béjart, Karlheinz Stockhausen…

Em Santiago do Chile, durante a Conferência Ibero-Americana, irritado com o Presidente venezuelano Hugo Chávez por este interromper constantemente o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, Juan Carlos disse-lhe: “¿Por qué no te callas?”, o que se tornou um fenómeno mediático.

Nos EUA começava a crise do subprime, na sequência da concessão descontrolada de empréstimos hipotecários de alto risco e crédito bancário a clientes sem condições para os pagar, o que levou bancos à insolvência e ao início de um período de recessão nos Estados Unidos, com um forte impacto em bolsas de valores de todo o mundo.

No dia 3 de maio, uma menina inglesa de 3 anos, Madeleine McCann, desaparece na Praia da Luz, Algarve, do apartamento onde os seus pais estavam de férias com os três filhos menores. Semanas depois, o Expresso seria o primeiro órgão de comunicação social português a quem Gerry e Kate McCann abririam as portas de casa para uma entrevista. O desaparecimento de “Maddie” tornou-se um fenómeno pela amplitude e intensidade da cobertura mediática mundial. Em 2021 já tinham sido gastos mais de 14 milhões de euros na investigação sem que Madeleine tivesse sido encontrada.
 

 

Expresso 2007