2009
O PRIMO DA CHINA
Barack Obama foi eleito Presidente dos EUA, e o mundo parecia que ia ser um lugar melhor.
Apesar de remontar a 2005, foi em 2009 que o caso Freeport Alcochete tomou a comunicação social. José Sócrates era acusado de, enquanto ministro do Ambiente de Guterres, ter recebido luvas para fazer uma alteração da Zona de Proteção Especial do Tejo e assim permitir a construção do maior outlet da Europa. Um tio e uns primos de Sócrates também apareceram metidos na história, no papel de intermediários, e o Expresso descobriu um deles na China: “Usei o nome do meu primo, no Natal peço-lhe desculpa.”
Sócrates também se viu envolvido no Processo Face Oculta, uma rede de corrupção e tráfico de influências montada pelo empresário de sucata Manuel Godinho. Outros protagonistas foram o ex-ministro socialista Armando Vara (na altura vice-presidente do BCP), o presidente da REN – Redes Energéticas Nacionais, José Penedos, e o seu filho, Paulo Penedos.
Um inusitado momento político ocorreu na Assembleia da República quando o deputado comunista Bernardino Soares chamou “mentiroso” ao ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho, que lhe respondeu levando dois dedos à testa como que a fazer uns ‘corninhos’. Foi o fim dos seus dias no Governo.
Foi ano de muitas eleições. Nas europeias venceu o PSD, com Paulo Rangel a cabeça de lista. Nas legislativas ganhou o PS, mas perdendo a maioria absoluta (a derrota do PSD levaria à troca do seu presidente, saindo Manuela Ferreira Leite e entrando Pedro Passos Coelho). Nas autárquicas, o PS teve mais votos, mas o PSD conseguiu manter o maior número de Câmaras. Mesmo envolvidos em casos de justiça, Valentim Loureiro, em Gondomar, e Isaltino Morais, em Oeiras, foram reeleitos como independentes.
O Expresso levou o computador “Magalhães” duas vezes à primeira página, primeiro para denunciar que os seus jogos educativos estavam repletos de erros de português (“mais de 80 erros clamorosos de ortografia, gramática e sintaxe”) e depois para contar que o “Magalhães” se tinha tornado uma “estrela na Feira da Ladra”.
Em 2009, o mundo defrontou-se com uma pandemia de Gripe A, que vista hoje parece um ensaio para o que iria acontecer uma década depois. Lia-se na primeira página: “Associações patronais já mobilizaram gabinetes jurídicos para contestar pagamento de salários em casos de fecho para evitar contágios; responsáveis da Saúde aconselham aposta no teletrabalho; mais de 11 mil portugueses ligaram para a Saúde 24 com dúvidas.”
Nasceu a Fundação Francisco Manuel dos Santos, por iniciativa de Alexandre Soares dos Santos e sua família, tendo por missão “estudar, divulgar e debater a realidade portuguesa”.
Morrem Michael Jackson, Pina Bausch, John Updike, João Bénard da Costa, Merce Cunningham, Bobby Robson, Raul Solnado, Claude Lévi-Strauss... O Expresso escreve: “Um terço do património UNESCO em Portugal em risco de derrocada”; os restos mortais de Jorge de Sena, sepultado em Santa Bárbara, Califórnia, desde 1978, são trasladados para o cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Ai se ele soubesse que o trouxeram de volta para esta “terra de ninguém, ninguém, ninguém”.
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