2011

27/04/2011

CHEGOU A TROIKA

Após o chumbo do PEC 4 foram convocadas eleições antecipadas, e o Governo de José Sócrates avançou com um pedido de resgate ao Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu no valor de €78 mil milhões. O pedido foi também assinado pelo PSD e pelo CDS, que formariam nesse ano um Governo de coligação, liderado por Passos Coelho e Paulo Portas. Ao perder as eleições, Sócrates sai da liderança do PS, sendo substituído por António José Seguro.

O calendário também ditou eleições presidenciais, tendo Cavaco Silva sido reeleito para um segundo mandato.

Com a troika a entrar em Portugal, “José Sócrates vai viver para Paris e estudar Filosofia”. Mesmo assim não faltaram por cá assuntos para fazer manchete.

Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, é acusado pela justiça brasileira de ter assassinado naquele país Rosalina Ribeiro, secretária do falecido milionário Lúcio Tomé Feteira.

Jorge Silva Carvalho, ex-diretor das secretas, é apanhado a fornecer informação à Ongoing, para onde foi trabalhar como assessor. O Expresso noticia que enquanto trabalhava no SIED (Serviço de Informações Estratégicas de Defesa) Silva Carvalho mandou espiar um jornalista do “Público” para descobrir as suas fontes.

Lemos no Expresso: “Cabo Verde é o país lusófono mais democrático, tendo ultrapassado Portugal, segundo o Índice da Democracia 2011, do Economist Intelligence Unit.”

Internacionalmente, os efeitos do derrube do regime tunisino no fim de 2010 espalharam-se ao mundo árabe: Jordânia, Omã, Egito, Iémen, Jibuti, Somália, Sudão, Iraque, Barém, Líbia, Kuwait, Marrocos, Mauritânia, Líbano, Arábia Saudita ou Síria. Com maiores ou menores alterações políticas ou sociais e com extrema violência em muitos desses países, a “primavera árabe” teve como principais consequências a queda por duas vezes do Governo no Egito (Hosni Mubarak e Mohamed Morsi), outras tantas no Iémen, e guerras civis no Iraque, na Líbia (incluindo a morte de Muamar Kadhafi), e na Síria (a mais terrível de todas, que escalou para envolvimento internacional e que ainda dura, mantendo-se no poder o Presidente Bashar al-Assad).

Em 2011 também a Grécia viveu dias de revolta popular por causa das medidas de austeridade impostas pela União Europeia na sequência do plano de resgate em vigor. No âmbito da crise da dívida pública da zona euro, já tinham sido alvo de resgate a Grécia e a Irlanda, em 2010, seguindo-se Portugal em 2011, Espanha em 2012 e Chipre em 2013.

Dias de revolta popular não vinculada a partidos que se fizeram contagiar a Espanha, com o Movimiento 15-M e os Indignados, a Portugal, com a Geração à Rasca e o grande protesto de 12 de março (embalado pela canção dos Deolinda ‘Parva Que Sou’ sobre uma geração com estudos superiores, mas que só consegue empregos precários), e aos Estados Unidos com o Occupy Wall Street.

A oriente, a vaga de fundo era outra, trágica. Um terramoto de magnitude 9,1, seguido de um tsunami, arrasou a região de Tohoku, no Japão. Mais de 15 mil pessoas morreram, 4 mil estão desaparecidas e cerca de 130 mil edifícios colapsaram. O desastre provocou ainda um acidente nuclear na central de Fukushima, que obrigou à criação de uma zona de isolamento de 20 quilómetros e obrigando centenas de milhares de residentes a abandonarem as suas casas.

A Noruega também viveu um dos piores momentos da sua história quando Anders Breivik, um ativista da extrema-direita, matou 77 pessoas e feriu 51 em dois atentados (uma explosão em Oslo, e um massacre a tiro na ilha de Utoya).

Morreram Steve Jobs, Maria José Nogueira Pinto, Malangatana, Elizabeth Taylor, Osama bin Laden, Roland Petit, Lucian Freud, Amy Winehouse, Júlio Resende, Montserrat Figueras, Christopher Hitchens, Cesária Évora, Kim Jong-il, Václav Havel…

Dilma Rousseff foi eleita Presidente do Brasil; e a população da Terra chegou aos 7 mil milhões.

 

 

Expresso 2011