2013

27/04/2013

LEAKS E MAIS LEAKS

Em 2013 regressou ‘Grândola Vila Morena’. A imortal canção de Zeca Afonso foi cantada nas galerias da Assembleia da República em protesto contra as medidas de austeridade, interrompendo um discurso de Pedro Passos Coelho, e a partir daí passou a ser um canto obrigatório em todas as manifestações contra o Governo, não apenas nas de esquerda.

A carestia de vida estava tão presente que o Expresso chegou a escrever que “Crise leva presos a recusar liberdade”, dando o exemplo de Carlos Mata, que “assaltou um banco para ser condenado”. O crime aumentava e o furto de metais não-preciosos atingiu recordes históricos: “Há 35 roubos de cobre por dia”. A EDP era a empresa mais lesada pelo roubo de cobre, fenómeno que tinha começado por volta de 2010, causando cerca de €66 milhões de prejuízos.

Nas eleições autárquicas o PS passou a ter mais câmaras do que o PSD, que até perdeu o Porto para Rui Moreira.

José Sócrates regressou às notícias. Primeiro por passar a ser “presidente do Conselho Consultivo para a América Latina da Octapharma, multinacional farmacêutica suíça”; depois porque terminou o mestrado em julho e vai publicar a tese em livro, em Portugal. “O trabalho é sobre tortura, o tema da dissertação. O livro é apresentado por Lula e lançado sob a égide da Fundação Mário Soares.”

Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares, foi obrigado a demitir-se na sequência da sua polémica licenciatura pela Lusófona, que acabou por ser anulada anos mais tarde.

Passos Coelho teve várias dores de cabeça, desde a demissão do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, passando pela “irrevogável” demissão de Paulo Portas, que afinal revogou, até ao Tribunal Constitucional (TC). Obrigado a cortes de €1,3 mil milhões, o Governo tentou suspender o subsídio de férias dos trabalhadores do sector privado e dos reformados e cortar nas baixas e nos subsídios de desemprego, mas o TC declarou as medidas inconstitucionais.

Na praia do Meco morreram afogados seis estudantes da Universidade Lusófona e um outro salvou-se. Foi uma praxe académica que correu mal ou estavam apenas ali a conversar e foram levados por uma onda?

Entre as mortes, destaque para Nelson Mandela, Margaret Thatcher, Urbano Tavares Rodrigues, Nagisa Oshima, Hugo Chávez, Óscar Lopes, Georges Moustaki, Seamus Heaney, António Ramos Rosa, Patrice Chéreau, Lou Reed, Doris Lessing, Nadir Afonso…

Do Vaticano chega um gesto inédito, a renúncia do Papa Bento XVI por razões de saúde, e a eleição do Papa Francisco.

Em 2013 teve alta hospitalar Malala Yousafzai, então com 16 anos, uma menina paquistanesa atacada a tiro pelos talibãs, devido à sua defesa do direito das mulheres à educação. Salva pelos médicos, foi capa da “Time” e receberia no ano seguinte o Prémio Nobel da Paz. Entrevistada pelo Expresso, disse que “o medo é impossível de esquecer”.

O Expresso também se associou ao Offshore Leaks, a maior investigação de sempre sobre paraísos fiscais. “Já foram detetados 22 nomes e 12 offshores com ligações a Portugal.”

Foi também nesse ano que o mundo ficou a conhecer Edward Snowden, um analista e administrador de sistemas norte-americano que tinha trabalhado na CIA e na NSA (a agência nacional de segurança) e que revelou a existência de um sistema de vigilância global de comunicações e de tráfego de dados online. A capacidade de espionagem eletrónica dos Estados Unidos, não só sobre os seus cidadãos, mas sobre qualquer pessoa, atropelando direitos civis e democráticos básicos, revelou mais um lado negro das consequências dos ataques do 11 de Setembro.

 

 

Expresso 2013