1999
O FIM DO IMPÉRIO
Além de ter sido o ano em que o número de telemóveis ultrapassou o número de telefones fixos em Portugal, 1999 marcou o fim do império português, com a passagem do último território, Macau, para a soberania chinesa. Foi no dia 20 de dezembro que a bandeira nacional foi arriada e substituída pela da China. Antes, noutro antigo território português, Timor, o referendo sobre a independência tinha resultado num sim esmagador.
O ano começou com Portugal em peso no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para a gala de encerramento dos 25 anos do Expresso. Mário Soares, Amália e Eusébio foram os convidados especiais, posando juntos para uma inédita produção fotográfica. Amália morreria neste ano.
Durante o ano, a crise na Universidade Moderna causou grande agitação política e levou a uma debandada de alunos. Mais tarde acabaria por fechar. O primeiro grande estudo feito em Portugal sobre a obesidade indicava entretanto que 50% dos portugueses eram gordos. A notícia foi dada pelo Expresso na primeira página, com uma caixa dizendo que chegaria em abril a Portugal uma nova pílula-maravilha contra a gordura.
A meio do ano viveu-se a febre do último eclipse do milénio, com várias publicações a oferecerem ou a venderem a um preço quase simbólico óculos de cartão especiais para observar o fenómeno. A polémica não faltou: seriam seguros?
Foi anunciado o primeiro tanatório (“shopping da morte”, como foi qualificado) nacional, em Lisboa, e o alpinista João Garcia tornou-se o primeiro português a chegar ao cume do Evereste — odisseia em que perdeu as falanges de vários dedos das mãos e ficou com graves ferimentos no nariz, devido às queimaduras. O Expresso publicou o diário e as fotos de João Garcia à conquista da maior montanha do mundo.
A partir do verão começou a falar-se do “bug do milénio”, os sistemas informáticos iam colapsar, porque o calendário interno dos computadores só teria sido programado até ao fim do milénio. No dia 12 de outubro a população da terra chegava aos 6 mil milhões. Neste ano, em que houve grande sururu a propósito das touradas de morte de Barrancos, que acabaram por não ser proibidas, o mais famoso recluso das cadeias portuguesas, José Faustino Cavaco, saiu em liberdade condicional — e pediu um subsídio ao Governo para se tornar empresário, como produtor de caracóis.
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