1998
EXPO-98 E ROSA CASACO
Em 1998 Lisboa foi a capital mundial dos oceanos, numa exposição que durou 132 dias e foi visitada por mais de 9 milhões de pessoas. Foi também o ano da atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago — de quem o Expresso publicou a primeira grande entrevista depois da atribuição do galardão.
A comemorar 25 anos, o Expresso abriu o ano com uma iniciativa de peso, juntando três “instituições nacionais”: Soares, Amália e Eusébio.
Data deste ano — durante o qual quase todas as manchetes (ou artigos de primeira página) eram ilustradas por um cartoon de António sobre o assunto em causa — um dos grandes “furos” do Expresso: uma entrevista a Rosa Casaco, o chefe da brigada da PIDE que matou Humberto Delgado, procurado há quase 20 anos pelas autoridades portuguesas. Foi fotografado junto à Torre de Belém, e a foto publicada na primeira página.
O início do ano seria, aliás, noticiosamente agitado. Além das revelações de Rosa Casaco, houve também a polémica sobre a devolução a Moçambique dos restos mortais de Gungunhana — que afinal não eram do moçambicano — e a notificação do primeiro caso em Portugal de doença das vacas loucas, no hospital de Coimbra.
Após a derrota nas autárquicas de dezembro, o PCP andava agitado, com o sector moderado a exigir renovação. Ainda na esquerda, o PS ficou em polvorosa depois de António Guterres ter aceitado um referendo sobre o aborto. No referendo venceria o “não”, com grande abstenção e o mesmo aconteceu em outubro com a regionalização. Na direita começava a desenhar-se a saída de Manuel Monteiro da liderança do CDS e a sua substituição por Paulo Portas. Marcelo voltou a marcar presença nas primeiras páginas. “Não me demito” (da liderança do PSD, se perder o referendo sobre a regionalização), garantia, na mesma edição em que os bispos portugueses admitiam concordar com jogos de futebol ao domingo e em que o Expresso começava a contar a história do Capitão Roby, um don Juan que terá seduzido e burlado cerca de 400 mulheres.
O padre Frederico, detido em Vale de Judeus pela morte de um menor, aproveitava entretanto uma saída precária para fugir para o Brasil, onde o Expresso o entrevistaria depois, no Rio de Janeiro, juntamente com a mãe.
Em junho, outra novidade numa notícia de primeira página: um novo comprimido-milagre, chamado Viagra, ia ser testado em Portugal. E quatro meses depois o tema voltava à primeira página, com o anúncio da chegada do “Viagra de efeito rápido” — 15 minutos bastavam para o tomador ficar animado.
Na vida interna do Expresso, 1998 voltou a ser ano de mudança. Com o início do mundial de futebol, a secção de Desporto passou para o 1º Caderno e a de Internacional para o segundo, juntamente com a Economia, tornando-se autónomo em outubro, mês em que as comemorações dos 25 anos do jornal terminaram com uma grande conferência no Centro Cultural de Belém cujo orador principal seria o patrão da Microsoft, Bill Gates.
Com a moeda única europeia a despontar — o euro começou a ser admitido nos depósitos e nas transações em 1999 — os bancos nacionais estiveram na passagem de ano a adaptar os sistemas informáticos à nova moeda.
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