2004
SANTANA PRIMEIRO-MINISTRO, DURÃO PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA
Pedro Santana Lopes dominou a paisagem noticiosa de 2004. No início do ano, ainda como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, continuava a sonhar alto e dizia ao Expresso que ia convidar o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer para projetar a nova catedral da cidade. Fomos nós a dar a notícia a Niemeyer, que não sabia de nada.
Depois, Santana sucedeu a Durão Barroso na chefia do Governo e do PSD. Durão teve o apoio dos 25 da UE (nesse ano alargada com a entrada de 10 países) para ser o substituto de Romano Prodi à frente da Comissão Europeia e largou o cargo de primeiro-ministro.
Mas Santana não se aguentaria até ao fim do ano, porque o Presidente Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento e marcou eleições legislativas devido à sucessão de “episódios que ensombraram a credibilidade do Governo”.
O panorama político alterou-se ainda mais em 2004: Jerónimo de Sousa substituiu Carlos Carvalhas como secretário- geral do PCP; Ferro Rodrigues saiu da liderança do PS, dando lugar a José Sócrates; e António de Sousa Franco faleceu de enfarte durante a campanha para as europeias. Era o cabeça de lista do PS, partido que venceu as eleições.
Foi um ano de acontecimentos terríveis. Várias bombas explodiram num comboio e em três estações de Madrid no dia 11 de março, causando 193 mortos. Os ataques foram atribuídos ao extremismo islâmico, por causa da participação de Espanha na Guerra do Iraque. Na cidade russa de Beslan, militantes islâmicos tomaram reféns numa escola, exigindo o reconhecimento da independência da Chechénia, e tudo acabaria com a morte de 334 pessoas (156 delas crianças). A 26 de dezembro, um sismo de magnitude 9,1 a 9,3 ocorreu junto à costa de Sumatra, na Indonésia, e provocou um maremoto e vários tsunamis que se abateram sobre 15 países banhados pelo oceano Índico e causaram cerca de 228 mil vítimas mortais.
Faleceram Sophia de Mello Breyner Andresen, Carlos Paredes, Hilda Hilst, Ray Charles, Marlon Brando, Maria de Lourdes Pintasilgo, Henri Cartier-Bresson, Ronald Reagan, Jacques Derrida, John Peel e Yasser Arafat.
No desporto, Miklos Fehér, jogador do Benfica, morreu em campo durante um jogo em Guimarães. Começou o caso Apito Dourado, com acusações de corrupção dirigidas ao FC Porto, ao Boavista e a Valentim Loureiro, presidente da Liga Portuguesa de Futebol.
O Futebol Clube do Porto venceu a Liga dos Campeões ao derrotar em Gelsenkirchen, na Alemanha, o Mónaco. O treinador dos azuis e brancos, José Mourinho, antes do fim do ano seria contratado pelo Chelsea, do milionário Roman Abramovich. E Portugal recebeu o Euro 2004, encheu-se de bandeiras das quinas, mas a seleção perdeu a final com a Grécia no Estádio da Luz.
No campo das notícias felizes, foi criada por testamento do empresário António Champalimaud uma fundação dedicada à saúde, que rapidamente se tornaria uma referência mundial; e a localidade espanhola de Villanueva de los Infantes foi identificada como aquele “lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me”, onde “vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor”.
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