2005
ASSIM VAI PORTUCALE
Ano novo e... “Quanto ao primeiro-ministro [Santana Lopes], dá-se um caso insólito: a sua fotografia oficial está neste momento a ser expedida para as embaixadas, um mês depois de o Governo se ter demitido”, noticia o Expresso.
Sócrates daria ao PS a primeira maioria absoluta, e o seu Governo inclui uma grande surpresa: Freitas do Amaral (fundador e primeiro presidente do CDS) como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. O PS também foi o partido com mais votos nas autárquicas desse ano. Santana, que tinha regressado à Câmara Municipal de Lisboa em março, só se aguentou até outubro, perdendo para Carmona Rodrigues. No Porto, Rui Rio foi reeleito.
Outras mudanças políticas vão passar pela escolha de Ribeiro e Castro como líder do CDS e de Marques Mendes como presidente do PSD.
O CDS viveu dias complicados com o caso Portucale: “O despacho que viabilizou o abate de sobreiros para o empreendimento turístico do Grupo Espírito Santo em Benavente foi assinado já depois das eleições de 20 de fevereiro e não antes, como consta da data oficial [16 de fevereiro]. Luís Nobre Guedes, ministro do Ambiente, foi o primeiro a assinar, mas só na semana a seguir às legislativas apelou a Costa Neves, ministro da Agricultura, e a Telmo Correia, ministro do Turismo, para subscreverem com urgência o documento.”
Começa a Operação Furacão, com buscas nos bancos BES, BCP, BPN e Finibanco e em escritórios de advogados. É a maior investigação de sempre dirigida à banca e procura crimes de fuga ao fisco e branqueamento de capitais envolvendo empresas em offshores.
O Expresso publica fotografias que provam os maus-tratos que sofreu Leonor Cipriano, a mulher de Portimão que viria a ser condenada (tal como o seu irmão) por ter morto a filha, Joana, de 8 anos. Leonor acusou a PJ de a ter espancado durante interrogatórios realizados à noite, sem advogado e sem conhecimento do magistrado do Ministério Público.
Faleceram Álvaro Cunhal, a Irmã Lúcia, João Paulo II, Arthur Miller, Saul Bellow, Paul Ricoeur, Eugénio de Andrade, Fernando Távora, Simon Wiesenthal, George Best…
O terrorismo islâmico continuava a semear terror. A 7 de julho, em Londres, quatro atentados suicidas em menos de uma hora atingem três carruagens do metro e um autocarro, causando 56 mortos. Para o dia 21 de julho estavam planeados mais quatro atentados, mas as bombas não explodiram.
Paris também pegou fogo, mas por outras razões. Na sequência da morte de dois jovens durante uma perseguição policial, eclodiu uma revolta popular nos arredores da capital e de outras cidades que levou à instauração do estado de emergência; durou 19 noites, durante as quais foram incendiados 8970 veículos. Na Dinamarca, o jornal de maior tiragem, o “Jyllands-Posten”, publicou 12 caricaturas de Maomé, o que gerou uma onda mundial de reações violentas.
Por cá, os desenhos e a revolta foram por um assunto muito diferente, como se pode ver e ler no Expresso: “Alguns manuais escolares, elaborados em consonância com as novas orientações dos Ministérios da Educação e da Saúde, propõem aos professores exercícios para crianças de 10 e 11 anos tais como colorir ‘partes do corpo que gostam que sejam tocadas’”.
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