2010

27/04/2010

DIAS DE ESTABILIDADE E CRESCIMENTO

“As mentiras de Sócrates sobre a compra da TVI” foi uma das primeiras manchetes do ano. O Expresso escrevia que “Henrique Granadeiro, presidente da Portugal Telecom, informou Sócrates da intenção da PT de comprar a TVI antes de a sua empresa enviar um comunicado à CMVM. Escutas fortuitas obtidas no processo Face Oculta confirmavam as estratégias da PT e da Ongoing para a TVI”.

Com o primeiro-ministro eternamente envolvido em polémicas, uma das figuras nacionais do ano seria o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, por via do anúncio de quatro Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC) para combater a crise. Apenas três desses conjuntos de medidas de austeridade foram aprovados em 2010. O quarto seria chumbado na AR no ano seguinte, levando à demissão do Governo.

As dificuldades sentidas pela população chegaram a um ponto tal que o Expresso escreveu que “escolas abrem ao fim de semana para matar a fome aos alunos”, e que o Banco Alimentar dá comida a 280 mil pessoas, tendo 5 mil famílias em espera. “O primeiro grande inquérito sobre pobreza em Portugal revela que mais de 50 mil menores dependem da caridade para comer. E o dado peca por defeito, diz o estudo da Universidade Católica. Entre os que pedem ajuda, 40% são novos pobres e 52% não conseguem que a comida chegue ao fim do mês.” Por todo o país abriam lojas de compra de ouro usado.

A 20 de fevereiro, um temporal provocou cheias e deslizamentos de terra na Madeira, matando 51 pessoas e causando 600 desalojados.

Pedro Passos Coelho tornou-se líder do PSD, substituindo Manuela Ferreira Leite. O Papa Bento XVI veio a Portugal, mas poucas imagens dele o Expresso encontrou nas lojas de Fátima. “Este Papa não vende”, garantiam os comerciantes. A Assembleia da República aprovou o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

No Mundial de Futebol da África do Sul, Portugal perdeu nos oitavos de final com a Espanha, que viria a ser campeã do mundo.

Falando em mundo, grande parte da população mundial ficou colada aos media a acompanhar a operação de salvamento de 33 trabalhadores soterrados a 688 metros de profundidade numa mina em San José, Chile.

Em dezembro começava na Tunísia uma revolta popular, a “revolução de jasmim”, que iria derrubar o Presidente Ben Ali (no poder desde 1987), alastrar-se-ia ainda nesse ano à Argélia, e no ano seguinte a outros países do Médio Oriente e do Norte de África, e ficaria conhecida como “primavera árabe”.

Em 2010 faleceram Éric Rohmer, J. D. Salinger, Dennis Hopper, Louise Bourgeois, João Aguiar, José Torres, Joan Sutherland, Mariana Rey Monteiro, José Saramago... O Expresso adotou o novo acordo ortográfico e a Apple lançou o iPad, dando início à popularização dos tablets.

Lisboa acolheu pela primeira vez uma cimeira da NATO, à qual compareceu Barack Obama. O Presidente norte-americano teve um ano de embaraços por conta do surgimento do WikiLeaks, liderado pelo australiano Julian Assange, e da enorme quantidade de documentação secreta do Governo dos EUA divulgada. “A primeira grande guerra da era da informação”, chamou-lhe o Expresso.

Foi pelo WikiLeaks que se soube que “o Governo português aceitou autorizar ‘caso a caso’ o uso da base das Lajes para o repatriamento de ‘combatentes inimigos’ da prisão de Guantánamo”, e que “houve transferências de 118 detidos. Desses, e até ao final da Administração Bush, 112 tiveram como destino países em que foram mantidos black sites, prisões controladas pela CIA”.

 

 

Expresso 2010