1997

27/04/1997

MORREU DIANA E ABRIU O COLOMBO

Com a Expo-98 no horizonte, a organização da exposição mundial de Lisboa não corria bem. Logo no início do ano demitiu-se o comissário responsável pela iniciativa, Cardoso e Cunha, por causa da derrapagem nas contas.

O acontecimento mais marcante de 1997 terá sido a morte da princesa Diana, quando o carro em que seguia embateu num pilar de um túnel em Paris ao tentar despistar paparazzi. Dias depois morreu Madre Teresa de Calcutá.

Dois grandes casos judiciais, hoje ainda por resolver, começaram neste ano. “Movimentos astronómicos” nas contas bancárias do advogado e ex-deputado do PSD Duarte Lima levaram as Finanças a abrir um inquérito. E o presidente do Benfica, Vale e Azevedo, ainda hoje em fuga, foi acusado de se ter apropriado de 300 mil contos [€1,5 milhões] da venda de um palacete do PSD em Sintra.

Na política doméstica teve repercussão a primeira grande entrevista de Jorge Sampaio enquanto Presidente da República, sobretudo por causa de uma confissão: também tinha conspirado contra Mário Soares, no sótão de Guterres.

E causou alguma agitação, sendo até debatido em Conselho de Ministros, um polémico programa da SIC, chamado “A Cadeira do Poder”, que testava as reações públicas a situações fictícias envolvendo políticos e outras figuras públicas.

Na diplomacia portuguesa registou-se uma situação caricata: foi nomeado um novo embaixador para Nova Iorque, que lá esteve um mês à espera da saída do cessante, sem que nunca tenham falado um com o outro.

No mundo artístico, foi neste ano que a cantora emigrante Linda de Suza (a da “mala de cartão”, lembram-se?) pediu ajuda ao Estado francês por estar na miséria e que o famoso grupo de teatro radiofónico Parodiantes de Lisboa pediu insolvência, depois de quase meio século de atividade.

O gasóleo agrícola passou a ter cor verde, para evitar fraudes, a Igreja Católica anunciava que o novo Catecismo ia deixar de aceitar a pena de morte. Era também anunciado que o espanhol ia ser ensinado nas escolas secundárias a partir do ano seguinte, como segunda língua opcional, e havia novidade em duas obras emblemáticas. Estavam construídos os primeiros quilómetros da Ponte Vasco da Gama, como o Expresso mostrou numa fotografia aérea publicada na primeira página, e era inaugurado o Centro Comercial Colombo.

O ano foi marcado por duas tragédias. Em abril, três encapuzados entraram na “boite” Meia Culpa, em Amarante, despejaram bidões de gasolina e incendiaram-na, causando 13 mortos. Em novembro, um aluimento de terras arrasou a localidade de Povoação, nos Açores, fazendo cerca de três dezenas de vítimas mortais.

No Expresso, 1997 – ano que foi clonada a ovelha "Dolly" e a Grã-Bretanha devolveu Hong Kong à China – voltou a ser um ano de inovação. Em maio foi lançado o Guia do Estudante e no verão o jornal começava a ser distribuído porta a porta em certas zonas da Grande Lisboa. A maior novidade seria, porém, a entrada na era digital: a partir das 14 horas de 12 de julho, o Expresso passou a estar disponível na internet.

 

 

Expresso 1997